sexta-feira, agosto 22, 2008

O INFERNO DE DANTE - CantoVIII

Eu devo explicar que, bem antes de chegarmos ao pé daquela torre, já observávamos as duas chamas que havia no seu cume. Na escuridão do rio, outra luz tão distante que quase não se via, respondia com um sinal. Voltei-me ao mar de toda sabedoria, e perguntei:
- Que sinais são estes? E aquela outra chama, o que ela responde? Quem é que as provoca?
- Sobre esta lama imunda em breve poderás perceber o que se espera - respondeu Virgílio.
Mal ele terminara de falar, da escuridão surgiu um barquinho pilotado por um barqueiro solitário, cortando a água em nossa direção.
- Chegaste, alma culposa! - gritou ele ao ancorar.
- Flégias, Flégias, desta vez tu gritas em vão - respondeu o meu senhor -, pois só vais nos levar à outra margem e nada mais. Contendo a sua ira, o barqueiro concordou. Meu guia calmamente embarcou e depois eu entrei, e só então o barco pareceu carregado.
No meio do caminho, um ser lamacento surgiu das águas e me chamou, perguntando:
- Quem és tu que vens antes do tempo?
- Venho - respondi -, mas não demoro, mas quem és tu tão revoltoso?
- Eu sou um dos que chora, como podes ver.
- Com choro e com luto, espírito maldito, que assim permaneças, pois eu te conheço, mesmo tão sujo!
Depois que eu lhe respondi, ele irritou-se e saltou sobre o barco, tentando me agarrar. Virgílio, porém, foi mais rápido e conseguiu lançá-lo de volta ao rio.
- No mundo este homem foi pessoa orgulhosa - disse o mestre - e nada de bom resta em sua memória. Por isto é que sua alma está aqui tão furiosa. Quantos lá em cima se julgam grandes reis e aqui estarão como porcos na lama?
- Mestre - falei -, muito me agradaria também vê-lo aqui afundado na lama antes que saíssemos deste lago.
- Antes que apareça a outra costa - respondeu o mestre - teu desejo será satisfeito.
Pouco depois, ouvi seus companheiros o massacrarem. Eles gritavam: "Vamos pegar Filippo Argenti!". Deleitei-me ao ver aquele florentino arrogante morder a si mesmo com os dentes de raiva.
E lá o deixei, e disso não falo mais. Comecei, então, a ouvir vozes dolorosas, que me impeliram a olhar adiante.
- E agora meu filho - chamou-me o mestre - nos aproximamos da cidade que se chama Dite, com seus tristes cidadãos e grande companhia.
- Mestre, - observei - já posso ver as suas mesquitas logo acima do vale infernal! Elas brilham, vermelhas como ferro em brasa.
- É o fogo eterno que arde no seu interior que faz esse brilho rubro se espalhar pelo baixo inferno. - completou Virgílio.
Entramos no fosso que cerca a cidade e Flégias deu uma grande volta em torno dela, onde pude observar seus muros que pareciam ser de ferro. Quando chegamos diante da entrada da cidade, Flégias gritou alto com toda a força:
- Saiam! Saiam logo! É aqui a entrada.
Descendo do barco, fomos recepcionados por um grupo de demônios. Eles chegaram e perguntaram:
- Quem é esse que, sem morte, anda pelo reino da morta gente?
O sábio mestre veio em meu auxílio. Dirigindo-se aos demônios, fez sinais indicando que gostaria de falar com eles secretamente. Responderam os diabos, disfarçando sua arrogância:
- Tudo bem, mas vem tu sozinho. E esse outro aí, que achava que podia andar como rei nesta terra, que prove que pode voltar sozinho se souber, pois tu que o guiaste até aqui vais ficar conosco!
Apavorei-me diante dessas palavras e temi não mais poder voltar a ver o mundo outra vez.
- Caro meu guia - chorei, em desespero -, que tantas vezes me deste segurança, não me deixes, por favor! Se não pudermos prosseguir nesta jornada, que voltemos já sem demora!
Mas ele, confiante, me respondeu:
- Não temas, porque o nosso passo, ninguém pode impedir. Mas espera aqui e descansa. Não deixes de ter esperança, pois podes ter certeza que não te deixarei sozinho neste mundo baixo.
Ele falou e foi encontrar-se com os diabos, e eu fiquei só a observar de longe. Não ouvi a conversa. Só vi a briga de longe e a porta da cidade se fechar diante de Virgílio, que voltou para mim cabisbaixo, em um passo lento.
- Olha só quem me nega a cidade da dor! - disse, triste - Mas não temas, pois ainda vencerei esta prova. A esta hora já deve estar no portal deste inferno alguém por quem esta entrada será aberta.
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Divina Comédia é a obra prima de Dante Alighieri, que a iniciou provavelmente por volta de 1307, concluindo-a pouco antes de sua morte (1321). Escrita em italiano, a obra é um poema narrativo rigorosamente simétrico e planejado que narra uma odisséia pelo Inferno, Purgatório e Paraíso, descrevendo cada etapa da viagem com detalhes quase visuais. Dante, o personagem da história, é guiado pelo inferno e purgatório pelo poeta romano Virgílio, e no céu por Beatriz, musa em várias de suas obras.
É interessante ler toda a obra.

EUGENE DELACROIX - (1798-1840)

O gosto pelo exótico e a força dramática de sua pintura caracterizam Delacroix como um dos maiores pintores românticos franceses. O uso peculiar que fez da cor abriu caminho para os grandes mestres impressionistas e pós-impressionistas, entre eles Monet, Cézanne, Gauguin e Picasso.
Ferdinand-Victor-Eugène Delacroix nasceu em Charenton-Saint-Maurice, em 26 de abril de 1798. A partir de 1815 começou a estudar pintura com o barão Pierre-Narcisse Guérin, renomado artista acadêmico.
Dentre muitos quadros que se tornaram famosos eis Dante e Virgílio no Inferno (1822): Dante e Virgílio atravessam o rio Estige com o barqueiro Flégias. No fundo, a cidade de Dite e o fogo eterno. Dentro do rio as almas possuídas pela ira (Canto VIII). Pintura de Eugène Delacroix (século XIX), Museu do Louvre, Paris.
Artista famoso pela intensidade de suas cores e por experimentos que o levaram a revolucionar a maneira de trabalhar os tons, Eugène Delacroix é o mais conhecido representante do estilo romântico na pintura. As cenas de paixão, violência e sensualidade, aliadas ao colorido das vestes e paisagens, fizeram a fama desse pintor da nobreza, nascido Ferdinand-Victor Eugène Delacroix a 26 de abril de 1798, no subúrbio parisiense de Saint-Maurice.

domingo, agosto 10, 2008

Zeus, Deus grego a quem os jogos eram dedicados

Se a religião não conseguiu unir a Grécia, o atletismo, periodicamente, o conseguia.Tamanha importância atribuíam a esses torneios, que nem a própria invasão persa os interrompeu, enquanto os espartanos tentavam barrar os persas nas Termópilas, uma multidão vibrava com a vitória de Teágenes de Tasos. Os persas muito se admiraram de os gregos não estarem todos nas Termópilas e sim em Olímpia.O que começou como uma homenagem a Zeus, com o tempo passou a ser patrocinado pelos ricos que mantinham atletas profissionais.Os gregos são conhecidos pelo seu culto à saúde, à beleza e à força. Isso fazia com que de quatro em quatro anos se reunissem em Olímpia, Delfos, Corinto e Neméia. Cada uma das dez divisões da Ática era representada por 24 homens escolhidos pela saúde, vigor e beleza viril. Esses jogos destinavam-se também, a deixarem os homens sempre aptos para a guerra, onde teriam que arremessar lanças e pedras, e correr e pular obstáculos.Imaginamos os peregrinos e atletas partirem com um mês de antecedência, rumo ao local dos jogos.

quinta-feira, junho 26, 2008

O CÓDIGO DE HONRA DA CAVALARIA


Buscar a perfeição humana
Retidão nas ações
Respeito aos semelhantes
Amor pelos familiares
Piedade com os enfermos
Doçura com as crianças e mulheres
Ser justo e valente na guerra e leal na paz

No juramento solene, o Sagrado Cavaleiro declarava-se fiel cumpridor do Código de Honra da Cavalaria. Abençoados sejam!


Reprodução em português do pergaminho original contendo as sete colunas da conduta e do proceder dos Cavaleiros da Távola Redonda


Fonte: Ceallaghan Wolfgang Anderyatt ψ

STONEHENGE - Inglaterra


O escritor e clérigo inglês Geoffrey de Monmouth, em sua obra Dança dos Gigantes (1130), narra que Uther Pendragon, pai do lendário Arthur, por volta do século V, após uma traição de Heingist liderando os saxões a um massacre de 460 nobres britânicos numa conferência de paz, decidiu elevar um monumento em memória dos guerreiros mortos. Assim, Pendragon convocou Merlim e o mago sugeriu a busca de antiqüíssimas pedras gigantescas que formavam um círculo mágico, capaz de curar todas as enfermidades, construído por gigantes na Irlanda.
Os gigantes, que eram pacíficos e infantis e tinham longa vida, haviam criado os círculos de pedra para saudar a natureza e para brincar, provocando assim uma certa disputa para ver quem construía um número maior de círculos (esta seria a origem dos inúmeros círculos distribuídos por toda Europa até hoje). Segundo Merlim, esta raça extinta de gigantes havia transportado essas pedras mágicas da África para a Irlanda. A água que fosse derramada sobre as pedras mágicas adquiria poderes curativos. Dessa forma, os gigantes tratavam seus ferimentos com preparados de ervas combinadas à água mágica.
Pendragon e seu irmão Ambrosius convocaram um exército de 15 mil homens a fim de transportar as pedras. Mas todas as tentativas fracassaram. Foi então que Merlim, valendo-se de poderes mágicos, transportou-as até os barcos que as trouxeram até Salisbury, na Inglaterra. Merlim dispôs as pedras ao redor das sepulturas, da mesma forma que os antigos gigantes. Segundo a lenda, ainda hoje encontram-se as inscrições dos túmulos de Uther e Aurelius.

sábado, junho 14, 2008

SADOMASOQUISMO - O Contrato (uma forma de amar??)


O CONTRATO - É um instrumento que visa dar as "torturas sexuais" certos limites e deixar claro quais são os direitos e deveres tanto de Mestres como de escravos. O primeiro, com esse conteúdo específico, do qual se tem notícia, foi assinado em 08 de dezembro de 1869 entre Sacher-Masoch e sua Dominadora, a Baronesa Fanny (veja SADOMASOQUISMO/ Biografias). A seguir na integra o referido contrato. "Contrato entre Madame Fanny de Pistor e Leopold de Sacher-Masoch. Sob palavra de honra, Leopold de Sacher-Masoch compromete-se a ser o escravo de Madame Pistor, e a executar absolutamente todos os seus desejos e ordens, e isto durante seis meses. Por sua parte, madame Fanny de Pistor não lhe pedirá nada de desonroso (que possa fazer-lhe perder sua honra de homem e de cidadão. Além disso, deverá deixar-lhe seis horas diárias para seus trabalhos e não lhe verá nunca as cartas ou escritos. Por cada infração ou negligência, ou por cada crime de lesa-majestade, a dona (Fanny de Pistor) poderá castigar a seu gosto o escravo (Leopold de Sacher-Masoch). Em resumo, o sujeito obedecerá à sua soberana com uma submissão servil, acolherá seus favores como um dom encantador, não fará valer nenhuma pretensão de amor nem nenhum direito sobre a sua amante. Por seu lado, Fanny de Pistor compromete-se a usar freqüentemente e sempre que possível peles, e principalmente quando se mostre cruel. (Riscado posteriormente) Ao fim de seis meses, este intermédio de servidão será considerado nulo e sem valor por ambas as partes, e estas não farão nenhuma alusão séria ao mesmo. Tudo o que suceda deverá ser esquecido com o retorno à antiga relação amorosa. Estes seis meses não deverão ter continuação; e poderão sofrer grandes interrupções, começando e acabando ao capricho da soberana. Assinaram, para confirmação do contrato, os participantes: Fanny Pistor Bagdanow Leopold, cavalheiro de Sacher-Masoch Começado a executar em 8 de dezembro de 1869".A maioria dos contratos que circulam no meio sadomasoquista derivam do contrato original entre Sacher-Masoch e a Baronesa Fanny. Ao contrário do que se possa pensar, na maioria das vezes não é um contrato leonino visando atender unicamente aos interesses do Mestre negligenciando os do escravo; atualmente costumam ser bastante justo equiparando os direitos e deveres de ambos os lados. Esse tipo de contrato é também considerado importante do ponto de vista legal, pois, garante ao escravo que sua integridade física será preservada e ao Mestre que tudo aquilo que for feito, desde que sejam observados os limites vigentes no contrato, foi acordado previamente e de bom grado pelo escravo evitando com isso futuros problemas legais. Sempre aconselho tanto a Mestres quanto a escravos, que sempre precavenham-se através deste documento(que não precisa ser reconhecido em cartório para ter valor legal), pois desta forma ambos estarão garantindo os três princípios básicos do sadomasoquismo durante o jogo sexual, a saber: SM consensual, seguro e sadio Para tanto, faça constar do contrato todos os seus limites claramente. Tudo aquilo que você aceita fazer e principalmente aquilo que não aceita. Alguns fazem contratos verbais(esse não tem valor legal, em caso de uma querela judicial será a palavra de um contra a palavra de outro) ou escritos a partir de seus acordos. Contudo, não é muito claro como esses contratos que funcionam sob a forma da lei. Nos Estados Unidos, a lei de cada estado varia, tornando isto mais difícil até mesmo para parceiros que sabem exatamente todos os termos de seus contratos. Não obstante, violar um contrato escrito é considerado um bom motivo para uma que sociedade se dissolva, embora esteja ou não valendo legalmente. No caso de muitos contratos de escravos/submissos onde estão envolvidos sentimentos, existe uma sensação de impossibilidade de quebrar o contrato a menos que o Mestre deseje libertar o escravo, pois é, considerado inaceitável para o escravo/submisso deixar a relação a menos que o Mestre assim o deseje ou viole o contrato. Realisticamente, entretanto, o escravo/submisso pode e até deve, rescindir o contrato caso sinta-se de qualquer forma lesado. Infelizmente, não há garantias que esse contrato seja levado em consideração, tudo dependerá do julgamento do juiz, porém há ainda uma possibilidade se o dito contrato for de "casamento"(caso seja entre Mestre e escravo, ou seja, uma relação homossexual, não poderá ser de forma nenhuma reconhecido perante a lei brasileira). Contratos SM podem conter quaisquer declarações muito inspiradas de amor e intenção, ou mesmo declarações malucas de lado a lado. É aconselhável que os contratos SM sejam revisados periodicamente(semestral ou anualmente), uma vez que essa é uma relação humana bastante dinâmica, por exemplo quanto ao grau de tolerância a dor do escravo ou a novas "torturas" desenvolvidas pelo Mestre. A seguir veremos uma transcrição do texto do livro "A Vênus Castigadora" de Leopold Sacher-Masoch, no qual a personagem Wanda de Dunaiew firmava um contrato de servidão com seu escravo Severino Kusiemski.



Fonte : SM-Biblioteca

terça-feira, junho 10, 2008

SEM MOTIVOS PRA VIVER

Sem motivo vou vivendo por aí por viver
Meus valores tão confusos reprimidos por você
Troco passos sem sentido pelas ruas sem saber aonde ir
E viver já nada mais significaAté já me esqueci.
Volto para casa onde eu procuro me esconder
De pessoas que acreditam meus problemas resolver
Mas eu insisto em cultivar sua presença
Mesmo sem você saber
E ainda espero a cada dia sua volta
É só você querer.
As lembranças me chegam sempre em noites tão vazias
E mexem tanto com minha cabeça
Que quando o sono vem o dia já nasceu
A distância me tira pouco a pouco a esperança
De ter você comigo novamente
E reviver aquele nosso grande amor.
Tantos planos, sonhos, feitos em pedaços por você
Que tolice tanto amor desperdiçado por nós dois
E na solidão me agarro a qualquer coisa
Que ainda resta desse amor
Pra sentir sua presença novamente
Seja como for.


by Roberto Carlos

  A saúva Trabalhadeira O dia amanheceu preguiçoso, com uma neblina leve que lembrava uma gaze de algodão, se é que existe isso. Os pássar...