sábado, setembro 20, 2008

Soneto da Separação


De repente, em um lapso de segundo, tudo o que era se desfez. Como continuar, depois do que você fez? E a dor...... quando acaba? É melhor não pensar, ou pensar depois como a Scarlet O'Hara, de "O vento levou". Esperar por outro ciclo, novas paisagens, algumas decisões importantes. Espero fazer o que deve ser feito e não machucar ninguém. E pra falar de mudanças nada melhor que a poesia de Vinicius:



De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


Vinícius de Moraes

A ROSA DE HIROSHIMA


Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

Vinícius de Moraes