sábado, dezembro 27, 2008

UM CONTO DE FÉ

Por T.J.Gama, em 27.12.08
O dia começa com um sol amarelado, o calor era insuportável. Ao longe se via uma casinha coberta de palha. Na frente da casa crianças esmirradas brincavam de peteca. Aproximei-me e quase que imediatamente senti que toda aquela brincadeira não tinha a mesma alegria das crianças de minha casa. Os rostos eram tristes, como a querer pedir ajuda e seus olhos assim que deram com os meus tinham que um misto de esperança e desalento.
A mãe, talvez sentindo a aproximação de um estranho veio até a entrada da casa, seu rosto não diferia muito dos pequenos seres que ali procuravam se entreter e de olhos percucientes e assustadiços falou-me : bom dia moço – pensei, o que tinha de bom no dia para aquelas gentes – mas retruquei, bom dia senhora, estou procurando pela casa de um senhor conhecido por “Zé do Caju”. E ela respondeu-me:
- ah! O Zé deve tá na roça, a casa dele fica perto de um cajuzeiro grande, não tem o que errar é só seguir aquele caminho. – disse apontando um caminho de terra vermelha ladeada por uma vegetação tosca e ressequida.
- obrigado senhora – e segui adiante, andei pelo menos hora e meia até chegar em uma casa pequena, de enchimento coberta de palha. Olhando ao redor pude perceber que algumas galinhas ciscavam no quintal e um pouco mais adiante uma cabra pastava, ou tentava pastar algumas folhas da vegetação que mais pareciam desnutridas como aquela gente.
Busquei pelo olhar algum sinal da presença do dono da casa, mas nada, nenhum sinal do homem. Comecei a andar no terreno e ao me afastar alguns metros eis que vejo uma pessoa caída, parecia um homem de aproximadamente 64 anos de idade, rosto bastante tostado pelo sol, rugas abundantes e seu rosto denotava estar sentindo muitas dores.
Corri até ele e assim que me avistou seu rosto contorceu-se no que parecia um sorriso. Debrucei-me sobre ele e perguntei : seu “Zé do Cajueiro” ?. Ele apenas retorceu novamente o rosto, como a concordar com o que eu dizia. Com muito custo consegui carregá-lo até a casa, onde o ambiente mostrava apenas uma cama de solteiro, colchão velho com um lençol não muito limpo, uma cadeira e pequena mesa, um fogão de lenha com duas bocas, muita cinza e nenhuma panela sobre o fogão ou mesa, o que denotava que pelo menos naquele dia não havia sido feita nenhuma refeição.
Coloquei-o sobre a cama e com uma pequena vasilha de barro que encontrei no jirau retirei água de um pote e dei de beber ao “Zé”, que sorveu a água com certa dificuldade, lentamente e depois com um olhar agradecido fechou os olhos e dormiu, agora não mais se via aquela careta de dor, mas apenas um olhar cansado.
Esperei por longas duas horas até que o Zé acordasse e este assim que acordou disse - obrigado moço, eu tava o dia todo deitado naqyele chão e não conseguia levantar.
Estava começando a ficar preocupado com o senhor. Tudo bem agora ?
- Tá sim moço, só me deu uma tontera e eu caí. Agora to bem.
Não me perguntou quem eu era apenas sentiu-se na obrigação de agradecer e dizer que agora estava bem. Fiquei a me indagar como era o viver daquele homem simples, de aspecto rude e de uma singeleza de alma, que não indagava o porquê da minha presença naquela casa, apenas me olhava agradecido e esperava que me dispusesse a dizer de meus motivos – para ele o que importava era que eu tinha sido seu salvador, meus motivos eram irrelevantes – e ele aguardava.
Senti naquele momento que eu era a pessoa mais importante da face da Terra e isso de certo modo incomodou-me – pessoa da cidade grande, acostumado a ser um rosto a mais na multidão – de repente senti que cada pessoa tem um traçado de vida, um destino, uma missão, uma tarefa,....... bem, seja lá como queiram chamar. Mas os meus passos me levaram naquela casa, naquele dia e hora, exatamente quando o Zé mais precisava.
Pensei em Deus – sempre acreditei nele – mas as vezes me perguntava se ele estava olhando quando a gente precisava. E naquele dia seria a resposta ? porque o Zé precisava...........e talvez eu também precisasse acreditar mais em Deus, na sua onisciência, no seu cuidado para com suas criaturas, no seu amor. Enfim, no zelo que ele tem (ou teria) – aqui vou eu de novo a descrer na existência desse Deus que todos, ou quase todos, chamam quando se sentem de alguma forma tristes ou desiludidos. Então refazendo meus pensamentos, perguntei ao Zé – era assim que eu já o estava chamando, com aquela intimidade de quem já se conhece há muito tempo – o senhor vive sozinho nessa casa?
E ele me respondeu: - não, eu e Deus.
Sorri com sua resposta, mas continuei:.......... Mas Zé e quando não se sente bem quem lhe ajuda? No que ele retrucou: se é só um caso leve a gente conta com os vizinhos, mas se o caso se complica conto com a ajuda de meu Pai do Céu. E acrescentou: e sempre deu certo.
Resposta simples e que confirmava o que já tinha me dito – que naquela casa moravam o Zé e Deus.
É respondi. Aquele homem de aspecto rude e cansado com as lides da vida tinha uma fé inquestionável em Deus e até falava em “parceria” quando dizia “e sempre deu certo”.
Como questionar aquela idéia, ou mais que uma idéia, um ideal de vida, a crença absoluta na existência de Deus e em seu poder de prover a todos, segundo as suas necessidades ou merecimentos.
Lembrei-me então daquela família que havia encontrado há pouco, daquelas crianças desnutridas, daquela mulher assustada e perguntei-me, além das necessidades óbvias quais eram suas outras necessidades? Criam também em Deus dessa forma inconteste ou apenas estariam conformadas com suas desditas?
Minha mente vagava entre a religião ou a crença em Deus – é porque são coisas bem distintas - pode-se ter uma religião e não ter fé inquestionável em Deus ou vice-versa. E então lembrei-me dos milhões de desesperançados do mundo. Daqueles que não tem o pão de cada dia nem teto para morar, dos que usando terminologia moderna são os sem teto, sem camisa, sem emprego......... ou sem nada.
Pensei nos governos, nas Ong’s, na sociedade em geral e me perguntei quando e como aquela situação iria acabar? Não obtive resposta, porque não sabia a resposta. Apenas olhei para aquele homem e sua fé inabalável e ainda – pasmem – tentei talvez, medir aquela fé (se era possível) e disse: Zé mas o que acontece se não puder chamar os vizinhos para lhe ajudar, como foi o caso de agora e ele em sua simplicidade respondeu : ainda posso chamar por Deus e se eu merecer ele manda alguém me ajudar. E completou: o senhor num tá aqui. Foi eu que pedi pra Deus manda alguém pra me ajudar........e o senhor chegou.
Bem era simples e só. Envergonhei-me de tentar questionar aquela fé e como a querer não deixar que percebesse a minha gafe disse-lhe: e desse dia em diante o senhor pode contar com um amigo.
Desisti de questionar qualquer coisa e para reforçar a concepção de amigo procurei pensar nas questões práticas: comida, remédios, roupas, pois era isso que um amigo devia prover a outro amigo quando o encontra em situação difícil. E mais uma vez pensei na magnanimidade de Deus, que leva alguém de posses até alguém que nada pode e curvei-me perante Deus e sua imensa bondade.
Nunca mais esqueci do Zé e sua fé e ainda hoje sempre que posso vou até aquele rincão de terra – que não foi esquecido por Deus – E renovo minha fé.

domingo, dezembro 07, 2008

Fanatismo



Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !


Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ...
"Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !

E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."


Por - Florbela Espanca

Busca





Deserto, árido, sem cor, sem dor

Perdido, ido, sem sentido,

Pouco, louco, tampouco,

Assim, a mim, de mim, pra mim

Revertido, colorido, prurido.

Deixado de lado, consentido.

Louco, tampouco, pouco.

Vivido, sentido, festivo.

Sem querer reprimido.

Sentido, festivo, vivido.

Ocultar não faz sentido,

Viver de mim, pra mim, por mim.

Isso sim não faz sentido.

Buscar, achar, encontrar.......... me encontrar.

Busco, rebusco, entro e dentro,

Acalento . E o que comtemplo?´

Não sei, não entendo.

Olhar, ver, não ver........... me ver!

Coisa difícil de entender.

Ah! alma humana tão estranha.

Pra comtemplá-la busca-se as entranhas,

pra viver


segunda-feira, dezembro 01, 2008

AMAR

Eu quero amar perdidamente!

Amar só por amar. Aqui ... além ...

Mais Este e Aquele, e Outro e toda a gente

Amar! Amar! e não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente?

Prender ou desprender? É mal? É bem?

Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:

É preciso cantá-la assim florida,

Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada

Que seja a minha noite uma alvorada,

Que me saiba perder ... pra me encontrar..



Autor:Florbela Espanca



A vida de Florbela Espanca sempre foi marcada por fatos incomuns. Esse poema a primeira vista parece mais um poema de amor dramático, porém se analisado com a profundidade que os poemas de Florbela Espanca requerem, soa como um desabafo. Nele está contida a dor que causa o amor, porém a angustiante vontade de continuar amando intensamente, especialmente nesse verso, ainda que cause dor “E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada; Que seja a minha noite uma alvorada”. Nesse poema Florbela mostra-se uma mulher madura, apresenta a preocupação quanto ao sentido da existência, ânsia de sempre estar amando, numa busca ate o fim da vida ou além, esse sentimento contraditório que é o amor.


Por José Regio: http://aprender.unb.br/mod/forum/discuss.php?d=53431


Sombra d'outeiro

A sombra d'um outeiro,

vi passarem-se os dias.

Dias de muito, dias de pouco

Se recordo bem, foi lá que também perdi meu bem

Não mais dias luminosos, não mais alegrias sem fim

Apenas o recordar de mim pra mim.

Tento esquecer, mas enfim

Que fazer, se o infinito teve fim.

Na sombra d'outeiro

Vi passar meu cavaleiro.

Era lindo de uma beleza ardente e apaixonante.

Quisera poder reter nas malhas das lembranças

não apenas o momento fugaz ,

Mas meu cavaleiro que se perdeu, foi embora.

Autor : T.J.Gama (Dez/2008)

sábado, novembro 29, 2008

Esperança

Sem angústia viver o momento
Te esperança ....... esperar, esperar.
Fazer o que? Só a Deus esperar?
Esperança.........esperar, esperar.
Com certeza trabalhar.
Saber suar, conquistar....
E novamente sonhar.
E confiar na sorte, na ajuda Divina.
Mas coitada da menina
Que só quiser esperar.
Autor: Eu (Novembro/2008)

Sonho acordado

Folha, papel, lápis..... Escreve o que sentes,
Escreve também o que não sentes.
A mim me dói escrever sem sentir
Sentindo escrevo com m'alma
M'alma acalenta sonhos que espero realizar
Realizar é concretizar, é viver o sonhado
De olhos bem abertos ou fechados.
Ah, m'alma sonha, o sonho sem sono
E espero acordado pra viver o sonhado.

Autor : Eu (Novembo/2008)

domingo, novembro 16, 2008

Outono da Vida


O vento vem
não se sabe de onde
mas ele vem.
Balança as folhas das árvores
Faz algumas cair e vai e vem
Não se sabe de onde.
O tempo passa como o vento,
deixando rastros por onde passa.
São recordações felizes outras amargas.
E passa o tempo e as folhas caem,
A vida se esvai
Mas só agora vejo a importancia dos minutos
Não dos que foram, como o vento.
Mas os que vem como o tempo também.
Das coisas importantes que ainda faltam
Será que terei tempo? Não sei,
ele agora se vai. E paradoxo. As rugas, antes tão temidas,
agora são desejadas,
porque isso representa tempo de viver o que falta.


Autor: Eu. (Nov/2008)

इमागेंस दे Beléम - PA

















Ver-o-Peso






sábado, novembro 08, 2008

Obama

"Olá, Chicago!

Se alguém aí ainda dúvida de que os Estados Unidos são um lugar onde tudo é possível, que ainda se pergunta se o sonho de nossos fundadores continua vivo em nossos tempos, que ainda questiona a força de nossa democracia, esta noite é sua resposta.
É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de escolas e igrejas em um número como esta nação jamais viu, pelas pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas delas pela primeira vez em suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que suas vozes poderiam fazer esta diferença.
É a resposta pronunciada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, incapacitados ou não-incapacitados.
Americanos que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos simplesmente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de estados vermelhos e estados azuis.
Somos, e sempre seremos, os Estados Unidos da América.
É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem céticos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História e torcê-lo mais uma vez em direção à esperança de um dia melhor.
Demorou um tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA.
Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do senador McCain.
O senador McCain lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pelo país que ama. Agüentou sacrifícios pelos EUA que sequer podemos imaginar. Todos nos beneficiamos do serviço prestado por este líder valente e abnegado.
Parabenizo a ele e à governadora Palin por tudo o que conseguiram e desejo colaborar com eles para renovar a promessa desta nação durante os próximos meses.
Quero agradecer a meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com o coração e que foi o porta-voz de homens e mulheres com os quais cresceu nas ruas de Scranton e com os quais viajava de trem de volta para sua casa em Delaware, o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden.
E não estaria aqui esta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga durante os últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle Obama.
Sasha e Malia amo vocês duas mais do que podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que está indo conosco para a Casa Branca.
Apesar de não estar mais conosco, sei que minha avó está nos vendo, junto com a família que fez de mim o que sou. Sinto falta deles esta noite. Sei que minha dívida com eles é incalculável.
A minha irmã Maya, minha irmã Auma, meus outros irmãos e irmãs, muitíssimo obrigado por todo o apoio que me deram. Sou grato a todos vocês. E a meu diretor de campanha, David Plouffe, o herói não reconhecido desta campanha, que construiu a melhor campanha política, creio eu, da história dos Estados Unidos da América.
A meu estrategista chefe, David Axelrod, que foi um parceiro meu a cada passo do caminho.
À melhor equipe de campanha formada na história da política. Vocês tornaram isto realidade e estou eternamente grato pelo que sacrificaram para conseguir.
Mas, sobretudo, não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.
Nunca pareci o candidato com mais chances. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos apoios. Nossa campanha não foi idealizada nos corredores de Washington. Começou nos quintais de Des Moines e nas salas de Concord e nas varandas de Charleston.
Foi construída pelos trabalhadores e trabalhadoras que recorreram às parcas economias que tinham para doar US$ 5, ou US$ 10 ou US$ 20 à causa.
Ganhou força dos jovens que negaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram para trás suas casas e seus familiares por empregos que os trouxeram pouco dinheiro e menos sono.
Ganhou força das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio gelado e o ardente calor para bater nas portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários e organizaram e demonstraram que, mais de dois séculos depois, um Governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra.
Esta é a vitória de vocês.
Além disso, sei que não fizeram isto só para vencerem as eleições. Sei que não fizeram por mim.
Fizeram porque entenderam a magnitude da tarefa que há pela frente. Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã são os maiores de nossas vidas - duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.
Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos valentes que acordam nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para dar a vida por nós.
Há mães e pais que passarão noites em claro depois que as crianças dormirem e se perguntarão como pagarão a hipoteca ou as faturas médicas ou como economizarão o suficiente para a educação universitária de seus filhos.
Há novas fontes de energia para serem aproveitadas, novos postos de trabalho para serem criados, novas escolas para serem construídas e ameaças para serem enfrentadas, alianças para serem reparadas.
O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não consigamos em um ano nem em um mandato. No entanto, EUA, nunca estive tão esperançoso como estou esta noite de que chegaremos.
Prometo a vocês que nós, como povo, conseguiremos.
Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou política minha quando assumir a presidência. E sabemos que o Governo não pode resolver todos os problemas.
Mas, sempre serei sincero com vocês sobre os desafios que nos afrontam. Ouvirei a vocês, principalmente quando discordarmos. E, sobretudo, pedirei a vocês que participem do trabalho de reconstruir esta nação, da única forma como foi feita nos EUA durante 221 anos, bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada sobre mão calejada.
O que começou há 21 meses em pleno inverno não pode acabar nesta noite de outono.
Esta vitória em si não é a mudança que buscamos. É só a oportunidade para que façamos esta mudança. E isto não pode acontecer se voltarmos a como era antes. Não pode acontecer sem vocês, sem um novo espírito de sacrifício.
Portanto façamos um pedido a um novo espírito do patriotismo, de responsabilidade, em que cada um se ajuda e trabalha mais e se preocupa não só com si próprio, mas um com o outro.
Lembremos que, se esta crise financeira nos ensinou algo, é que não pode haver uma Wall Street (setor financeiro) próspera enquanto a Main Street (comércio ambulante) sofre.
Neste país, avançamos ou fracassamos como uma só nação, como um só povo. Resistamos à tentação de recair no partidarismo, na mesquinharia e na imaturidade que intoxicaram nossa vida política há tanto tempo.
Lembremos que foi um homem deste estado que levou pela primeira vez a bandeira do Partido Republicano à Casa Branca, um partido fundado sobre os valores da auto-suficiência e da liberdade do indivíduo e da união nacional.
Estes são valores que todos compartilhamos. E enquanto o Partido Democrata conquistou uma grande vitória esta noite, fazemos com certa humildade e a determinação para curar as divisões que impediram nosso progresso.
Como disse Lincoln a uma nação muito mais dividida que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. Embora as paixões os tenham colocado sob tensão, não devem romper nossos laços de afeto.
E àqueles americanos cujo apoio eu ainda devo conquistar, pode ser que eu não tenha conquistado seu voto hoje, mas ouço suas vozes. Preciso de sua ajuda e também serei seu presidente.
E a todos aqueles que nos vêem esta noite além de nossas fronteiras, em Parlamentos e palácios, a aqueles que se reúnem ao redor dos rádios nos cantos esquecidos do mundo, nossas histórias são diferentes, mas nosso destino é comum e começa um novo amanhecer de liderança americana.
A aqueles que pretendem destruir o mundo: vamos vencê-los. A aqueles que buscam a paz e a segurança: apoiamo-nos.
E a aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda ilumina tão fortemente: esta noite demonstramos mais uma vez que a força autêntica de nossa nação vem não do poderio de nossas armas nem da magnitude de nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.
Lá está a verdadeira genialidade dos EUA: que o país pode mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos nos dá esperança sobre o que podemos e temos que conseguir amanhã.
Estas eleições contaram com muitos inícios e muitas histórias que serão contadas durante séculos. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta.
Ela se parece muito com outros que fizeram fila para fazer com que sua voz seja ouvida nestas eleições, exceto por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Nasceu apenas uma geração depois da escravidão, em uma era em que não havia automóveis nas estradas nem aviões nos céus, quando alguém como ela não podia votar por dois motivos - por ser mulher e pela cor de sua pele.
Esta noite penso em tudo o que ela viu durante seu século nos EUA - a desolação e a esperança, a luta e o progresso, às vezes em que nos disseram que não podíamos e as pessoas que se esforçaram para continuar em frente com esta crença americana: Podemos.
Em uma época em que as vozes das mulheres foram silenciadas e suas esperanças descartadas, ela sobreviveu para vê-las serem erguidas, expressarem-se e estenderem a mão para votar. Podemos.
Quando havia desespero e uma depressão ao longo do país, ela viu como uma nação conquistou o próprio medo com uma nova proposta, novos empregos e um novo sentido de propósitos comuns. Podemos.
Quando as bombas caíram sobre nosso porto e a tirania ameaçou ao mundo, ela estava ali para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Podemos.
Ela estava lá pelos ônibus de Montgomery, pelas mangueiras de irrigação em Birmingham, por uma ponte em Selma e por um pregador de Atlanta que disse a um povo: "Superaremos". Podemos.
O homem chegou à lua, um muro caiu em Berlim e um mundo se interligou através de nossa ciência e imaginação.
E este ano, nestas eleições, ela tocou uma tela com o dedo e votou, porque após 106 anos nos EUA, durante os melhores e piores tempos, ela sabe como os EUA podem mudar.
Podemos.
EUA avançamos muito. Vimos muito. Mas há muito mais por fazer. Portanto, esta noite vamos nos perguntar se nossos filhos viverão para ver o próximo século, se minhas filhas terão tanta sorte para viver tanto tempo quanto Ann Nixon Cooper, que mudança virá? Que progresso faremos?
Esta é nossa oportunidade de responder a esta chamada. Este é o nosso momento. Esta é nossa vez.
Para dar emprego a nosso povo e abrir as portas da oportunidade para nossas crianças, para restaurar a prosperidade e fomentar a causa da paz, para recuperar o sonho americano e reafirmar esta verdade fundamental, que, de muitos, somos um, que enquanto respirarmos, temos esperança.
E quando nos encontrarmos com o ceticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Podemos.
Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os Estados Unidos da América".


Barack Hussein Obama, 47 anos, foi eleito nesta terça-feira (4) o 44º presidente da história dos Estados Unidos. Ele será o primeiro negro a chefiar a nação mais rica do planeta.

Obama discursou para uma multidão no Grant Park, em Chicago, às margens do Lago Michigan. Segundo estimativa da rede de televisão CNN, o público foi de 125 mil pessoas. A agência Associated Press estimou em 250 mil.

São 250 mil rostos onde se podia ver a esperança estampada. Onde se podia ver que realmente aquele povo queria mudar, sobretudo sua vida e imagem perante as demais nações. Imagem esta que ficou chamuscada pela gestão desastrosa de George W. Bush.

E nós dos paises emergentes, como se diz agora, estamos querendo fazer parte da ação, não mais como mero espectadores, mas como atores principais num palco onde nossas vozes poderão ser ouvidas e levadas a sério.

Nesses últimos anos o Brasil deu um salto qualitativo. Nem tudo foi resolvido, mas com certeza se vieirem governantes sérios e dispostos a trabalhar por esse povo brasileiro tão carente de inúmeras coisas então poderemos dizer também "nós podemos". Sim, podemos ser um povo orgulhosos de seus feitos tecnologicos, culturais, empresasias, comerciais e tudo o mais que garanta efetivamente o bem estar da população que quer ser lembrada como uma nação forte por suas conquistas e não apenas por ser um pais se futebol e carnaval, como se aqui não houvessem outras coisas importantes. Sim, "nós podemos" ser vistos como essa nação forte, que tem valores dignificantes. Essa é a minha esperança de um amanhã onde meus filhos e netos sentirão orgulhos de fazerem parte dessa imensa nação, não só por sua extensão territorial, mas por valores que abraçará e com governantes que poderão nos fazer sentir esse orgulho. É isso aí.


No último dia o6 eu e uma amiga fomos vítimas de assalto e agora fico revendo na mente as cenas. É horrível, sem falar do mêdo que se instala de dar de cara novamente com o tal meliante. Agora sei como as vítimas de violências acabam se fechando em si mesmas, com mêdo de viver de encarar a vida, de sair as ruas, desconfiando de tudo e de todos que se aproximam.

Eu sempre me considerei uma pessoa forte, mas agora tenho medo. Espero poder superar.

Por mais incrível que possa parecer não fiquei com raiva dos assaltantes. Na hora do evento fica a sensação que tudo está correndo em câmera lenta,......... mas é tudo tão rápido. Espero poder superar. Não desejo mal a esses homens , mas fico me perguntando, além dos fatores sociais o que realmente leva uma pessoa a enveredar pelo caminho da violência? O que nós como sociedade podemos fazer para mudar esse quadro que parece cada vez mais agravante?

A minha rua antes era calma. sem grandes acontecimentos além daqueles provocados pelos "fofoqueiros de plantão", mas agora não se pode mais ficar na frente da casa. Os dias de conversa com a vizinhaça até altas horas ficou num passado longínquo. Ainda espero poder superar.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Eleições 2008 - Belém - PA

A eleição em Belém no último domingo, 26 de outubro, formou a nova cara da Camara Muncipal de Belém e apesar da derrota de José Priante-PMDB-, o partido saiu fortalecido em todo território nacional, pois segundo o Deputado Jader Barbalho, líder do PMDB no Estado, definiu como sendo "o partido que mais cresceu em todo o Brasil nesta eleição e agora conta com o maior numero de eleitores tanto no Pará quanto no País".
No Estado do Pará o PMDB ficou com 25% das prefeituras e isso com certeza trará implicações para as eleições de 2010, restando-nos apenas "pagar pra ver" como irá ficar a política em nosso Estado.
Dos 35 candidatos a vereadores eleitos para a Câmara Municipal de Belém, cinco são do PT (Marquinho, Amaury da APPD, professor Alfredo Costa, Adalberto Aguiar e Otávio Pinheiro), cinco do PTB (Pio Neto, Dr. Castro, Nadir Neves, Arbage e Antônio Vinagre), cinco do PMDB (Dr. Wanderlan, Bispo Rocha, Scaff, Capitã Vanessa e Henrique Soares), três do DEM (Carlos Augusto, Fernando Dourado e Abel Loureiro), três pelo PR (Mário Corrêa, professor Luiz Pereira e Morgado), dois pelo PSDB (Nemias Valentim e Paulo Queiroz), dois pelo PDT Tereza Coimbra e Rildo Pessôa), dois pelo PSB (Iran Moraes e Ademir Andrade), dois do PRB (Pastor Raul Batista e Miguel Rodrigues), dois pelo PP (Vandick Lima e Xerfan), dois pelo PPS (Cobrador Pregador e Augusto Pantoja) e dois pelo PV (Orlando Reis e Nonato Filgueiras).

sexta-feira, outubro 24, 2008

A boboleta e o casulo



Um dia, uma pequena abertura apareceu em um casulo; um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.
Então pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso.Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir mais. Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta então saiu facilmente. Mas seu corpo estava murcho e era pequeno e tinha as asas amassadas.
O homem continuou a observar a borboleta porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo.Nada aconteceu! Na verdade, a borboleta passou o resto da sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar. O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo com que a natureza fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de modo que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida. Se passássemos esta nossa vida sem quaisquer obstáculos, nós não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido.

Eu quis Força... e recebi Dificuldades para me fazer forte.

Eu quis Sabedoria... e recebi Problemas para resolver.

Eu quis Prosperidade... e recebi Cérebro e Músculos para trabalhar.

Eu quis Coragem... e recebi Perigo para superar.

Eu quis Amor... e recebi pessoas com Problemas para ajudar.

Eu quis Favores... e recebi Oportunidades.

Eu não tive nada do que quis ...

Mas eu recebi tudo de que precisava.



Para cumprimos a missão que nos foi designada por Deus nos foi dado justamente não o que talvez esperávamos, mas o que precisavamos para seguir adiante.
E, a missão de cada mulher nesse mundo é acima de tudo mostrar que, da aparente fragilidade se descobre uma fortaleza d'alma.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Dois poemas




Mulher Negra.


Mulher nua, mulher negra,
Vestida de tua cor que é vida,
de tua forma que é beleza!
Cresci à tua sombra;
a doçura de tuas mãos acariciou os meus olhos.
E eis que, no auge do verão,
em pleno Sul, eu te descubro,
Terra prometida,
do cimo de alto desfiladeiro calcinado,
E tua beleza me atinge em pleno coração,
como o golpe certeiro de uma águia.
Fêmea nua, fêmea escura,
Fruto sazonado de carne vigorosa,
êxtase escuro de vinho negro,
boca que faz lírica a minha boca
savana de horizontes puros,
savana que freme com as carícias ardentes do vento Leste.
Tam-tam escultural,
tenso tambor que murmura sob os dedos do vencedor.
Tua voz grave de contralto é o canto espiritual da Amada.
Fêmea nua, fêmea negra,
Lençol de óleo que nenhum sopro enruga,
óleo calmo nos flancos do atleta,
nos flancos dos príncipes do Mali.
Gazela de adornos celestes,
as pérolas são estrelas sobre a noite da tua pele.
Delícia do espírito,
as cintilações de ouro sobre tua pele
que ondula à sombra de tua cabeleira.
Dissipa-se minha angústia,
ante o sol dos teus olhos.
Mulher nua, fêmea negra,
Eu te canto a beleza passageira
para fixá-la eternamente,
antes que o zelo do destino
te reduza a cinzas para alimentar as raízes da vida.


Poema de Léopold Sédar Senghor: 1906 - 2001
Tradução de Guilherme de Souza Castro - Falecido professor da UFBa, foi diretor do CEAO e professor em Ifé (Nigéria).
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Mulher Negra




I
Do tempo das amas-de-leite,
das senzalas e mucambas,
Aind’há quem te desfeite,
(Do tempo das amas-de-leite)
quem deboche teus enfeites,
e te faça a vida tirana
Do tempo das amas-de-leitedas senzalas e mucambas.

II
Ser mulher e, negra, também ser,
é sentir, em dobro, a dor,
é lutar e sobreviver.
Ser mulher e, negra, também ser,
é por duas sempre valer,
é desdobrar o seu valor
Ser mulher e, negra, também ser,
é sentir, em dobro, a dor.

III
É guardar dentro do peito,
o grito da liberdade,
qual o mais doce confeito.
É guardar dentro do peito,
a esperança dum mundo feitode paz e igualdade
É guardar dentro do peito,o grito da liberdade.

IV
É ser sempre a guerreira,
vencendo obstáculos,
e tomando a dianteira.
É ser sempre a guerreira,
e vencer, à sua maneira,
desta vida os percalços
É ser sempre a guerreira,
vencendo obstáculos,
V
Mulher negra, negra mulher,
fica aqui esta homenagem,
de um poetinha qualquer.
Mulher negra, negra mulher,
venha o tempo que vier,
és sinônimo de coragem.
Mulher negra, negra mulher,
fica aqui esta homenagem.

Jorge Linhaça



Aproxima-se o dia 20 de novembro, instituído o dia da consciência negra. E como não falar de consciência sem lembrar da mulher.
Mulher que é toda sensibilidade. Que ensina a seus rebentos a consciência da vida.
A mulher que é guerreira,sem deixar de ser feminina.
A mulher que é desteminda, sem deixar de querer também ser amparada.
Mulher que é, dizem contraditória, mas é nas contradições que está sua beleza. A verdadeira mágica de ser mulher.

domingo, outubro 12, 2008

Entardecer

Entardecer em Joanes - Marajó - PA

Em Joanes, no Marajó, o entardecer é especial. Não se vê agitação, apenas calmaria. A calmaria de um dia vivido em plenitude ao sabor das ondas.

Escuta-se o canto dos pássaros, sente-se o vento nos cabelos e aquela paz......imensa paz.

Sinto saudades daquele lugar. Quisera eu poder estar mais vezes ouvindo o barulho das ondas, como se elas pudessem me dizer "aproveitaste o dia?".

Quando penso nas ondas, indo e vindo, batendo na areia, a água escorrendo de volta ao rio........ penso em tantas coisas num miléssimo de segundo, como se 0 tempo tivesse parado. Como se nada mais importasse. Só a água indo e vindo, sem a preocupãção que o tempo se esvaia também.

Não, nada de pensar no tempo. Ele é como o inimigo sempre esperando pra oferecer surpresas, boas ou más. Bem isso só o tempo dirá.

VERSOS ÍNTIMOS

"O Colosso" de Francisco de Goya y Lucientes (1746 - 1828)

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo.
Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto dos Anjos (1884 - 1914)

Os laços do espírito


Os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir.
Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas, também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação. Não são os da consangüinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de idéias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações. Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue. Podem então atrair-se, buscar-se, sentir prazer quando juntos, ao passo que dois irmãos consangüíneos podem repelir-se, conforme se observa todos os dias: problema moral que só o Espiritismo podia resolver pela pluralidade das existências (Capitulo IV, no.13).


Allan Kardec. Da obra: O Evangelho Segundo o Espiritismo.112a edição. Capitulo XIV, no.8. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1996.

sábado, outubro 11, 2008

ANJOS GUARDIÃES


Os anjos guardiães são embaixadores de Deus, mantendo acesa a chama da fé nos corações e auxiliando os enfraquecidos na luta terrestre.
Quais estrelas formosas, iluminam as noites das almas e atendem-lhes as necessidades com unção e devotamento inigualáveis.
Perseveram ao lado dos seus tutelados em toda circunstância, jamais se impacientando ou os abandonando, mesmo quando eles, em desequilíbrio, vociferam e atiram-se aos despenhadeiros da alucinação.
Vigilantes, utilizam-se de cada ensejo para instruir e educar, orientando com segurança na marcha de ascensão.
Envolvem os pupilos em ternura incomum, mas não anuem com seus erros, admoestando com severidade quando necessário, a fim de lhes criarem hábitos saudáveis e conduta moral correta.
São sábios e evoluídos, encontrando-se em perfeita sintonia com o pensamento divino, que buscam transmitir, de modo que as criaturas se integrem psiquicamente na harmonia geral que vige no Cosmo.
Trabalham infatigavelmente pelo Bem, no qual confiam com absoluta fidelidade, infundindo coragem àqueles que protegem, mantendo a assistência em qualquer circunstância, na glória ou no fracasso, nos momentos de elevação moral e naqueloutros de perturbação e vulgaridade.
Nunca censuram, porque a sua é a missão de edificar as almas no amor, preservando o livre-arbítrio de cada uma, levantando-as após a queda, e permanecendo leais até que alcancem a meta da sua evolução.
Os anjos guardiães são lições vivas de amor, que nunca se cansam, porquanto aplicam milênios do tempo terrestre auxiliando aqueles que lhes são confiados, sem se imporem nem lhes entorpecerem a liberdade de escolha.
Constituem a casta dos Espíritos Nobres que cooperam para o progresso da humanidade e da Terra, trabalhando com afinco para alcançar as metas que anelam.
Cada criatura, no mundo, encontra-se vinculada a um anjo guardião, em quem pode e deve buscar inspiração, auscultando-o e deixando-se por ele conduzir em nome da Consciência Cósmica.
Tem cuidado para que te não afastes psiquicamente do teu anjo guardião.
Ele jamais se aparta do seu protegido, mas este, por presunção ou ignorância, rompe os laços de ligação emocional e mental, debandando da rota libertadora.
Quando erres e experimentes a solidão, refaze o passo e busca-o pelo pensamento em oração, partindo de imediato para a ação edificante.
Quando alcances as cumeadas do êxito, recorda-o, feliz com o teu sucesso, no entanto preservando-te do orgulho, dos perigos das facilidades terrestres.
Na enfermidade, procura ouvi-lo interiormente sugerindo-te bom ânimo e equilíbrio.
Na saúde, mantém o intercâmbio, canalizando tuas forças para as atividades enobrecedoras.
Muitas vezes sentirás a tentação de desvairar, mudando de rumo. Mantém-te atento e supera a maléfica inspiração.
O teu anjo guardião não poderá impedir que os Espíritos perturbadores se acerquem de ti, especialmente se atraídos pelos teus pensamentos e atos, em razão do teu passado, ou invejando as tuas realizações... Todavia te induzirão ao amor, a fim de que te eleves e os ajudes, afastando-os do mal em que se comprazem.
O teu anjo guardião é o teu mestre e amigo mais próximo.
Imana-te a ele.
Entre eles, os anjos guardiães e Deus, encontra-se Jesus, o Guia perfeito da humanidade.
Medita nas Suas lições e busca seguir-Lhe as diretrizes, a fim de que o teu anjo guardião te conduza ao aprisco que Jesus levará ao Pai Amoroso.


Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos Enriquecedores. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador, BA: LEAL. 1994.

O Círio de Nazaré


O Círio de Nazaré é realizado no segundo domingo de outubro desde 1793. A estátua da Santa teve origem na cidade de Nazaré na Galiléia, a imagem representa a Virgem Maria, tendo em seus braços o Menino Jesus segurando uma esfera azul.
A imagem da Santa passou a ser cultuada em Portugal, em decorrência do milagre ocorrido na manhã do dia 14 de setembro de 1182 com D. Fuas Roupinho, amigo do rei Afonso Henrique. Durante a perseguição de uma caça, D. Fuas perdeu o controle das rédeas de seu cavalo, o qual corria descontroladamente em direção à um abismo. Desesperado com a possibilidade da morte iminente, D. Fuas lembrou-se da Imagem e exclamou: "Senhora, valei-me!". No mesmo instante o cavalo estancou com ímpeto, cravando as patas traseiras nas pedras, rodopiando sobre e elas pondo a salvo o cavaleiro. A caça e os cachorros despencaram pelo precipício.

A devoção de Nossa Senhora de Nazaré foi introduzida no Pará pelos padres jesuítas, tendo o culto começado na cidade da vigia, no século XVII. O primeiro milagre que deu origem à procissão em Belém, ocorreu em outubro de 1700. Conta-se que um humilde lenhador filho de português, morador do atual bairro de Nazaré, ao andar pelos lados do igarapé Murutucu, onde atualmente fica uma travessa que passa por traz da atual Basílica de Nazaré, encontrou a imagem da Nossa Senhora de Nazaré trazida por algum devoto oriundo da Vigia. Era uma réplica da estátua que se encontra em Portugal, esculpida em madeira, com aproximadamente 28 cm de altura. Ela estava depositada entre pedras lodosas, bastante deteriorada pela ação do tempo. Encantado com a descoberta , o lenhador a levou para sua casa, improvisando ali um pequeno altar. De acordo com a tradição, a imagem não ficou na casa, retornando misteriosamente ao lugar do achado. O fato repetiu-se outras vezes, até que o lenhador decidiu erguer, às margens do igarapé, uma humilde capela. A propagação desse episódio repercutiu como milagre, chamando vários fiéis que iam conhecer a imagem e prestar-lhe culto. O governador da época determinou a remoção da imagem para o Palácio da Cidade. Não obstante a vigília de soldados colocados à porta da capela, a imagem novamente desapareceu, voltando ao seu nicho primitivo. No lugar está erguida, hoje, a suntuosa Basílica de Nossa Senhora de Nazaré

O Círio de Nazaré é uma tradição paraense, e por sua magnetude é considerado como "O Natal dos Paraenses", pois como é costume nessa época ser desejado "bom Círio", a todas as pessoas, como a querer dizer : que este dia seja abençoado, que todos os seus sonhos se realizem, que novas esperanças surjam na sua vida e outras coisas mais.

Não sou católica, mas a procissão, mesmo não tendo a conotação do catolocismo é sem dúvida uma demostração de fé, de esperança e sobretudo de amor.

Na procissão é nítida a impressão desse amor que parecer emanar de todos e para todos. Não é possível deixar de sentir-se tocado, sensibilizado. É uma reunião de várias mentes emando um só pensamento: o agradecimento a Senhora de Nazaré por seu amor e intercessão jinto a seu filho muito querido, Jesus Cristo, que veio a este mundo para nos deixar uma mensagem imorredoura, a de que o amor a tudo de soprepõe e só ele é o que realmente importa.

Bem, BOM CÍRIO A TODOS OS PARAENSES!


sábado, setembro 27, 2008

XOTE DA MENINAS


Uma lembrança do nosso saudoso Luiz Gonzaga, que com sua sanfona agitou muitas festas juninas.

E prá quem não sabe Mandacaru é uma planta muito abundante no nordeste brasileiro e que que tem água no caule e nos espinhos e pode resistir a períodos de forte estiagem no sertão, pode ser uma solução para um dos problemas que a seca traz. De acordo com o pesquisador da Embrapa Nilton de Brito Cavalcanti, a plantação do mandacaru pode ser uma alternativa para alimentar animais em períodos de seca.


Mandacaru quando fulora na seca
É um sinal que a chuva chega no sertão
Toda menina que enjôa da boneca
É sinal de que o amor já chegou no coração
Meia comprida, não quer mais sapato baixo
Vestido bem cintado
Não quer mais vestir gibão
Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar
De manhã cedo já tá pintada
Só vive suspirando, sonhando acordada
O pai leva ao doutor a filha adoentada
Não come não estuda
Não dorme nem quer nada
Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar
Mas o doutor nem examina
Chamando o pai de lado
Lhe diz logo em surdina
Que o mal é da idade
E que pra tal menina
Não há um só remédio
Em toda medicina
Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar
Mandacaru quando fulora na seca
É um sinal que a chuva chega no sertão
Toda menina que enjôa da boneca
É sinal de que o amor já chegou no coração
Meia comprida, não quer mais sapato baixo
Vestido bem cintadoNão quer mais vestir gibão
Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar
De manhã cedo já tá pintada
Só vive suspirando, sonhando acordada
O pai leva ao doutor a filha adoentada
Não come não estuda
Não dorme nem quer nada
Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar
Mas o doutor nem examina
Chamando o pai de lado
Lhe diz logo em surdina
Que o mal é da idade
E que pra tal menina
Não há um só remédio
Em toda medicina
Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar
Ela só quer só pensa em namorar

Luiz Gonzaga (1912-1989)

Cidades



A história das cidades, em geral, remete a períodos longínquos da Antiguidade, sendo que as primeiras cidades teriam surgido entre quinze a cinco mil anos atrás, dependendo das diversas interpretações sobre o que delimita exatamente um antigo assentamento permanente e uma cidade. As primeiras verdadeiras cidades são por vezes consideradas grandes assentamentos permanentes nos quais os seus habitantes não são mais simplesmente fazendeiros da área que cerca o assentamento, mas passaram a trabalhar em ocupações mais especializadas na cidade, onde o comércio, o estoque da produção agrícola e o poder foram centralizados.



As primeira cidade de que se tem notícia teriam surgido à beira de grandes fluxos de água, pois eles garantiam terras férteis e irrigação, proporcionando que a cidade pudessem ser abastecidas com regularidade. Por causa dessa regularidade foi que desenvolveu-se o comércio, primeiramente de trocas, o escambo, para muito mais tarde aparecer o dinheiro.



Dentre as inúmeras cidades que se desenvolveram por estar fundada às proximidades de grandes fluxos de água, é Tebas, no Vale do Nilo no Antigo Egito, também conhecida por Uaset, no Egito ou, simplesmente, "a cidade" ou " Heliópolis do Sul, ou "cidade do sul" por ser a Capital da 4ª província do Alto Egito e da metade sul do país, tabém chamada de Luxor, que quer dizer "palácio", antiga morada dos soberanos, sendo a capital gloriosa do Egito por mais de 1500 anos.




Na Era das Pirâmides quando a capital do reino unido era Ménfis, Tebas foi apenas uma pequena cidade de pouca importância. A partir da Época da segunda unificação do reino egípcio pelo rei tebano «Neb-Hebet-Rá», Montohotep I, por volta de 2134. a.C , Tebas passou a ser a capital do país, tendo em conta que os monarcas da dinastia XI pertencem a essa cidade celebre, porém o deus poderoso na cidade daquela época não foi Amón, mas o deus da guerra "Monto". Quando os reis da dinastia XII deixaram Tebas e fundaram nova capital " Ithet-tawi", em Beni Suef, provavelmente Tebas perdeu uma grande parte da sua importância. Por volta de 1570 a. C aprox. com a terceira unificação e a expulsão dos Hicsos, graças as batalhas prolongadas de libertação feitas a cabo pelos reis da dinastia tebana conhecida como a dinastia XVII, Tebas recuperou o seu valor e passou de novo a ser a capital do reino egípcio unido. Sob o controlo de grandes reis como Ahmoss, Amenhotep I, Tohotmos I, inicou-se o processo de segurar as fronteiras do reino por meio de campanhas militares remetidas às terras asiáticas e núbias, divulgando a tranquilidade e segurança ao longo do país. Com a restauração da paz e sossego durante os reinados daqueles monarcas poderosos surgiu grande prosperidade comercial e artística. Quando Hatshepsut subiu ao trono dedicou grande interesse ao intercâmbio comercial com outros reinos sobre tudo com o leste da África. Ela deu mais interesse a restauração e construção de novos templos sobretudo em Tebas. Tohotmus III, o grande faraó guerreiro expandiu os cantos do seu império para todas as dirercções do mundo então conhecido, comandando em coragem 17 diversas campanhas militares para Ásia e para África (Núbia).

Entre o tempo da dinastia XXI até a dinastia XXV (1070-750 a.C aprox.) Tebas sofreu de uma época calamitosa, pois grande parte da glória da cidade desapareceu e havia uma ruptura com o poder central, limitando-se a servir de um centro religioso de grande destaque. Uma tentaiva de restaurar paz, ordem e estabilidade foi levada a cabo pelos monarcas da dinastia XXV, conhecida na história com a Dinástia Núbia. Reis oriundos de Napata" (no norte do Sudão actual) conquistarm o país, transformaram Tebas no seu próprio centro espiritual e religioso, e conseguiram restaurar uns edifícios e aumentaram outros na capital. Com a conquista dos assírios ao Egipto em 667 a.C Tebas sofreu de uma época de declínio, desordem, e destruição. Uma tentativa que teve sucesso foi levada a cabo pelos príncipes nacionais do oeste do Delta "Sais" terminou pela expulsão dos assírios do país e a fundação da dinsatia XXVI, porém a cidade de Sais (Sa El Hagar) foi a capital. E no entanto Tebas se recuperou e foi reconstruída e restaurada de novo. Infelizmente os persas conquistaram o Egipto e tomaram Tebas que foi vítima de tarefas de violência, destruição e devastação.






sexta-feira, setembro 26, 2008

Geografia urbana estuda as áreas urbanas e seus processos de produção do espaço urbano. E, nesse contexto entende-se que o espaço urbano, é como já se pode imaginar, um espaço por excelência produzido pela ação humana, as quais podem ser muitos úteis ao próprio homem ou a ele danosas.

Para a compreensão desse espaço existem vários estudos que querem compreender como esse espaço se produz e reproduz. Estudo esse de grande complexidade, em face mesmo que para a ação humana são levados em consideração vários fatores, que podem ser tanto de ordem cultural, religiosa e econômica, esta última sobressaindo-se mais em relação as outras, já que o fator econômico tem preponderância sobre outros fatores, produzindo singularidades, formadoras de perspecitvas diversas.

Para melhor explanarmos sobre o urbano precisamos compreender o que é uma cidade, pois é ela que melhor pode demonstar as relações que se estabelecem para esse entendimento;

A cidade, segundo Milton Santos, é uma "sucessão de tempos desiguais", o

sábado, setembro 20, 2008

Soneto da Separação


De repente, em um lapso de segundo, tudo o que era se desfez. Como continuar, depois do que você fez? E a dor...... quando acaba? É melhor não pensar, ou pensar depois como a Scarlet O'Hara, de "O vento levou". Esperar por outro ciclo, novas paisagens, algumas decisões importantes. Espero fazer o que deve ser feito e não machucar ninguém. E pra falar de mudanças nada melhor que a poesia de Vinicius:



De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


Vinícius de Moraes

A ROSA DE HIROSHIMA


Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

Vinícius de Moraes

segunda-feira, setembro 01, 2008

Jardim - Rubens Alves


Hoje foi o dia da minha colação de grau de Licenciatura em geografia e a Professora Suely Menezes, principal coordenadora da Universidade Estadual Vale do Acaraú, em sua oratória durante a cerimônia dos colandos fez uma alusão a um texto de Rubens Alves, "Jardim", remetendo-nos ao pensamento de que como novos professores aptos a entrar no mercado de trabalho, que é o da educação, fomos comparados por ela a jardineiros, responsáveis pela plantação da boa semente, porque não bastar ter o jardim é preciso ter jardineiros para cuidar que os brotos recém plantados não sejam alvo das ervas daninhas e outras pragas, isto é : o professor tem um papel muito importante, e que não é apenas de facilitador do conhecimento, mas também responsável por plantar idéias sadias nas mentes dos nossos jovens, e que vivem nesse mundão de Deus nem sempre com alguém por perto para lhes ensinar, além do conhecimento as noções subjetivas da vida, tentando levar a esses jovens a oportunidade do conhecer para poder avaliar criticamente as ocorrências do dia e dia. E, é com o pensamento na importância do jardim e do jardineiro que deixo esse pequeno trecho de Rubens Alves:


“Explico: o que é que se encontra no início? O jardim ou o jardineiro? É o jardineiro. Havendo um jardineiro, mais cedo ou mais tarde, um jardim aparecerá. Mas, havendo um jardim sem jardineiro, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins. O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro. O que faz um povo são os pensamentos daqueles que o compõem” (Alves, R., 2000, p. 24-25).

quarta-feira, agosto 27, 2008

O SAL DA TERRA


Anda, quero te dizer nenhum segredo
Falo desse chão, da nossa casa, vem que tá na hora de arrumar
Tempo, quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante, nem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundo prá banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado e quem não é tolo pode ver
A paz na Terra, amor, o pé na terra
A paz na Terra, amor, o sal da...
Terra, és o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro, tu que és a nave nossa irmã
Canta, leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com teus frutos, tu que és do homem a maçã
Vamos precisar de todo mundo, um mais um é sempre mais que dois
Prá melhor juntar as nossas forças é só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora para merecer quem vem depois
Deixa nascer o amor
Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor
Deixa viver o amor
Composição: Beto Guedes/Ronaldo Bastos

DERIVA CONTINETAL

PANGEA - O supercontinente

A teoria da Deriva Continental foi proposta em 1912, pelo cientista alemão Alfred Wegener, dizia esse que há milhões de anos havia um só continente chamado Pangéia que era cercado por um só oceano denominado Pantalassa.

Segundo a Deriva Continental, a Pangéia teria se rompido vagarosamente dividindo-se em dois continentes denominados Laurásia, localizado ao norte, e Godwana, localizado ao sul. Baseando-se nos perímetros africanos e brasileiros, foi observado que esses poderiam se encaixar perfeitamente, dando a confirmação de que os continentes se romperam e que continuaram a formar novos continentes, resultando no que percebemos nos dias de hoje.
Como conseqüência destes rompimentos, os oceanos também sofreram divisão obedecendo as transformações provocadas pelas massas dos novos continentes.

Segundo Wegener, a Deriva dos Continentes após a fraturação da Pangéia explicava não só as ocorrências fósseis, mas também as evidências de mudanças dramáticas do clima em alguns continentes. Por exemplo, a descoberta de fósseis de plantas tropicais (na formação de depósitos de carvão) na Antárctida conduziu à conclusão que este continente, atualmente coberto de gelo, já esteve situada perto do equador, com um clima temperado onde a vegetação luxuriante poderia desenvolver-se. Do mesmo modo que os fósseis característicos de fetos (Glossopteris) descobertos em regiões agora polares, e a ocorrência de depósitos glaciários em regiões áridas de África , tal como o Vaal River Valley na África do sul, foram argumentos factuais invocados a favor da teoria da Deriva dos Continentes.

domingo, agosto 24, 2008

Fim - Vinícius de Moraes


Será que cheguei ao fim de todos os caminhos
E só resta a possibilidade de permanecer?
Será a Verdade apenas um incentivo à caminhada
Ou será ela a própria caminhada?
Terão mentido os que surgiram da treva e gritaram - Espírito!
E gritaram - Coragem!
Rasgarei as mãos nas pedras da enorme muralha
Que fecha tudo à libertação?
Lançarei meu corpo à vala comum dos falidos
Ou cairei lutando contra o impossível que antolha-me os passos
Apenas pela glória de tombar lutando?
Será que eu cheguei ao fim de todos os caminhos…
Ao fim de todos os caminhos?

Vinícius de Moraes

Solidão - Vinícius de Moraes


....a maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre."


sábado, agosto 23, 2008

Dante Alighieri (1265-1321)

Dante no Exílio. Anônimo. Archivo Iconográfico S. A., Itália.
Imagem pertencente à Corbis Image Collections.


Dante Alighieri nasceu em Florença em 1265 de uma família da baixa nobreza. Sua mãe morreu quando era ainda criança e seu pai, quando tinha dezoito anos.
Pouco se sabe sobre a vida de Dante e a maior parte das informações sobre sua educação, sua família e suas opiniões são geralmente meras suposições. As especulações sobre a sua vida deram origem à vários mitos que foram propagados por seus primeiros biógrafos, dificultando o trabalho de separar o fato da ficção. Pode-se encontrar muita informação em suas obras, como na Vida Nova (La Vita Nuova) e na Divina Comédia.
Na Vida Nova Dante fala de seu amor platônico por Beatriz (provavelmente Beatrice Portinari), que encontrara pela primeira vez quando ambos tinham 9 anos e que só voltaria a ver 9 anos mais tarde, em 1283.
Em 1290, Beatriz morreu repentinamente deixando Dante inconsolável. Esse acontecimento teria provocado uma mudança radical na sua vida o levando a iniciar estudos intensivos das obras filosóficas de Aristóteles e a dedicar-se à arte poética.
A Itália no tempo de Dante estava dividida entre o poder do papa e o poder do Sagrado Império Romano. O norte era predominantemente alinhado com o imperador (que podia ser alemão ou italiano) e o centro, com o papa
A Itália, porém, não era um império coeso. Não havia um único centro de poder. Havia vários, espalhados pelas cidades, que funcionavam como estados autônomos e seguiam leis e costumes próprios. Nas cidades era comum haver disputas de poder entre grupos opositores, o que freqüentemente levava a sangrentas guerras civis. Florença era, na época, uma das mais importantes cidades da Europa, igual em tamanho e importância a Paris, com uma população de mais de 100 mil habitantes e interesses financeiros e comerciais que incluíam todo o continente.
A política nas cidades representava os interesses de famílias. A afiliação era hereditária. A família de Dante pertencia a uma facção política conhecida como os guelfos (Guelfi) - representados pela baixa nobreza e pelo clero - que fazia oposição a um partido conhecido como os guibelinos (Ghibellini) - representantes da alta nobreza e do poder imperial.
Dante nasceu em uma Florença governada pelos guibelinos, que haviam tomado a cidade dos guelfos na sangrenta batalha conhecida como Montaperti (monte da morte), em 1260. Em 1289, Dante lutou com o exército guelfo de Florença na batalha de Campaldino, onde os florentinos venceram os exércitos guibelinos de Pisa e Arezzo, e recuperaram o poder sobre a cidade.
Na época de Dante, o governo da cidade era exercido por representantes eleitos de corporações de operários, artesãos, profissionais, etc. chamadas de guildas. Dante se inscreveu na guilda dos médicos e farmacêuticos e disputou as eleições em Florença, tendo sido eleito em 1300 como um dos seis priores (presidentes) do Conselho da Cidade.
Os priores de Florença (entre eles Dante) viviam em constante atrito com a igreja de Roma que, sob o governo do papa Bonifácio VIII, pretendia colocar toda a Itália sob a ditadura da igreja. Em um dos encontros com o papa, onde os priores foram reclamar da interferência da igreja sobre o governo de Florença, Bonifácio respondeu ameaçando excomungá-los. A briga entre os Neri e Bianchi tornou-se cada vez mais intensa durante o mandato de Dante até que ele teve que ordenar o exílio dos líderes de ambos os lados para preservar a paz na cidade. Dante foi extremamente imparcial, incluindo, entre os exilados, um dos seus melhores amigos (Guido Cavalcanti) e um parente de sua esposa (da família Donati).
No meio da confusão entre os guelfos de Florença, o papa decidiu enviar Carlos de Valois (irmão do rei Felipe da França) como pacificador para acabar com a briga entre as facções. A suposta ajuda, porém, revelou ser um golpe dos Neri para tomar o poder. Eles ocuparam o governo de Florença e condenaram vários Bianchi ao exílio e à morte. Dante foi culpado de várias acusações, entre elas corrupção, improbidade administrativa e oposição ao papa. Foi banido da cidade por dois anos e condenado a pagar uma alta multa. Caso não pagasse, seria condenado à morte se algum dia retornasse a Florença.
Cinco anos antes de sua morte, foi convidado pelo governo de Florença a retornar à cidade. Mas os termos impostos eram humilhantes, semelhantes àqueles reservados à criminosos perdoados e Dante rejeitou o convite, respondendo que só retornaria se recebesse a honra e dignidade que merecia. Continuou em Ravenna, onde morreu e foi sepultado com honras.

Fonte :Helder da Rocha - http://www.stelle.com.br/pt/index_comedia.html

sexta-feira, agosto 22, 2008

O INFERNO DE DANTE - CantoVIII

Eu devo explicar que, bem antes de chegarmos ao pé daquela torre, já observávamos as duas chamas que havia no seu cume. Na escuridão do rio, outra luz tão distante que quase não se via, respondia com um sinal. Voltei-me ao mar de toda sabedoria, e perguntei:
- Que sinais são estes? E aquela outra chama, o que ela responde? Quem é que as provoca?
- Sobre esta lama imunda em breve poderás perceber o que se espera - respondeu Virgílio.
Mal ele terminara de falar, da escuridão surgiu um barquinho pilotado por um barqueiro solitário, cortando a água em nossa direção.
- Chegaste, alma culposa! - gritou ele ao ancorar.
- Flégias, Flégias, desta vez tu gritas em vão - respondeu o meu senhor -, pois só vais nos levar à outra margem e nada mais. Contendo a sua ira, o barqueiro concordou. Meu guia calmamente embarcou e depois eu entrei, e só então o barco pareceu carregado.
No meio do caminho, um ser lamacento surgiu das águas e me chamou, perguntando:
- Quem és tu que vens antes do tempo?
- Venho - respondi -, mas não demoro, mas quem és tu tão revoltoso?
- Eu sou um dos que chora, como podes ver.
- Com choro e com luto, espírito maldito, que assim permaneças, pois eu te conheço, mesmo tão sujo!
Depois que eu lhe respondi, ele irritou-se e saltou sobre o barco, tentando me agarrar. Virgílio, porém, foi mais rápido e conseguiu lançá-lo de volta ao rio.
- No mundo este homem foi pessoa orgulhosa - disse o mestre - e nada de bom resta em sua memória. Por isto é que sua alma está aqui tão furiosa. Quantos lá em cima se julgam grandes reis e aqui estarão como porcos na lama?
- Mestre - falei -, muito me agradaria também vê-lo aqui afundado na lama antes que saíssemos deste lago.
- Antes que apareça a outra costa - respondeu o mestre - teu desejo será satisfeito.
Pouco depois, ouvi seus companheiros o massacrarem. Eles gritavam: "Vamos pegar Filippo Argenti!". Deleitei-me ao ver aquele florentino arrogante morder a si mesmo com os dentes de raiva.
E lá o deixei, e disso não falo mais. Comecei, então, a ouvir vozes dolorosas, que me impeliram a olhar adiante.
- E agora meu filho - chamou-me o mestre - nos aproximamos da cidade que se chama Dite, com seus tristes cidadãos e grande companhia.
- Mestre, - observei - já posso ver as suas mesquitas logo acima do vale infernal! Elas brilham, vermelhas como ferro em brasa.
- É o fogo eterno que arde no seu interior que faz esse brilho rubro se espalhar pelo baixo inferno. - completou Virgílio.
Entramos no fosso que cerca a cidade e Flégias deu uma grande volta em torno dela, onde pude observar seus muros que pareciam ser de ferro. Quando chegamos diante da entrada da cidade, Flégias gritou alto com toda a força:
- Saiam! Saiam logo! É aqui a entrada.
Descendo do barco, fomos recepcionados por um grupo de demônios. Eles chegaram e perguntaram:
- Quem é esse que, sem morte, anda pelo reino da morta gente?
O sábio mestre veio em meu auxílio. Dirigindo-se aos demônios, fez sinais indicando que gostaria de falar com eles secretamente. Responderam os diabos, disfarçando sua arrogância:
- Tudo bem, mas vem tu sozinho. E esse outro aí, que achava que podia andar como rei nesta terra, que prove que pode voltar sozinho se souber, pois tu que o guiaste até aqui vais ficar conosco!
Apavorei-me diante dessas palavras e temi não mais poder voltar a ver o mundo outra vez.
- Caro meu guia - chorei, em desespero -, que tantas vezes me deste segurança, não me deixes, por favor! Se não pudermos prosseguir nesta jornada, que voltemos já sem demora!
Mas ele, confiante, me respondeu:
- Não temas, porque o nosso passo, ninguém pode impedir. Mas espera aqui e descansa. Não deixes de ter esperança, pois podes ter certeza que não te deixarei sozinho neste mundo baixo.
Ele falou e foi encontrar-se com os diabos, e eu fiquei só a observar de longe. Não ouvi a conversa. Só vi a briga de longe e a porta da cidade se fechar diante de Virgílio, que voltou para mim cabisbaixo, em um passo lento.
- Olha só quem me nega a cidade da dor! - disse, triste - Mas não temas, pois ainda vencerei esta prova. A esta hora já deve estar no portal deste inferno alguém por quem esta entrada será aberta.
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Divina Comédia é a obra prima de Dante Alighieri, que a iniciou provavelmente por volta de 1307, concluindo-a pouco antes de sua morte (1321). Escrita em italiano, a obra é um poema narrativo rigorosamente simétrico e planejado que narra uma odisséia pelo Inferno, Purgatório e Paraíso, descrevendo cada etapa da viagem com detalhes quase visuais. Dante, o personagem da história, é guiado pelo inferno e purgatório pelo poeta romano Virgílio, e no céu por Beatriz, musa em várias de suas obras.
É interessante ler toda a obra.