domingo, outubro 12, 2008

Entardecer

Entardecer em Joanes - Marajó - PA

Em Joanes, no Marajó, o entardecer é especial. Não se vê agitação, apenas calmaria. A calmaria de um dia vivido em plenitude ao sabor das ondas.

Escuta-se o canto dos pássaros, sente-se o vento nos cabelos e aquela paz......imensa paz.

Sinto saudades daquele lugar. Quisera eu poder estar mais vezes ouvindo o barulho das ondas, como se elas pudessem me dizer "aproveitaste o dia?".

Quando penso nas ondas, indo e vindo, batendo na areia, a água escorrendo de volta ao rio........ penso em tantas coisas num miléssimo de segundo, como se 0 tempo tivesse parado. Como se nada mais importasse. Só a água indo e vindo, sem a preocupãção que o tempo se esvaia também.

Não, nada de pensar no tempo. Ele é como o inimigo sempre esperando pra oferecer surpresas, boas ou más. Bem isso só o tempo dirá.

VERSOS ÍNTIMOS

"O Colosso" de Francisco de Goya y Lucientes (1746 - 1828)

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo.
Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto dos Anjos (1884 - 1914)

Os laços do espírito


Os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir.
Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas, também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação. Não são os da consangüinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de idéias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações. Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue. Podem então atrair-se, buscar-se, sentir prazer quando juntos, ao passo que dois irmãos consangüíneos podem repelir-se, conforme se observa todos os dias: problema moral que só o Espiritismo podia resolver pela pluralidade das existências (Capitulo IV, no.13).


Allan Kardec. Da obra: O Evangelho Segundo o Espiritismo.112a edição. Capitulo XIV, no.8. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1996.