sexta-feira, agosto 27, 2010

Lamento dos pés descalços (DIREITOS HUMANOS)


Levam-nos longe,
Com eles erguemo-nos do chão,
Com eles buscamos outras paragens.
Com eles corremos, pensando que voamos
Tão de repente quanto a mente também voa
Em busca de horizontes onde more a vida digna
E a tão sonhada felicidade.
Mas ela nos foge.
Sem temos onde morar, sem termos onde repousar
De noite nosso corpo suado e cansado de perambular
Pelas ruas. As mesmas ruas onde também transitas
Na indiferença e na opulência de tua mesa farta,
Nosso corpo cansado, nossa mente cansada,
Nosso espírito fustigado por tantos horrores.
Horror de morrer de uma hora pra outra
Deitado num banco de praça, queimado pela indiferença
De teus olhos, de tua consciência, que se cala, silencia,
Quando choramos de medo de que o hoje
e o amanhã sejam iguais: sem lar, sem saúde,
sem educação, sem lazer, sem perspectivas....
E que sejamos rotulados, por tua consciência apagada
Apenas por “os sem nada”. Última página daquele que
Queria ser apenas “humano”.