sexta-feira, março 27, 2009

Segunfa natureza



"Os campos cultivados, os caminhos, os moinhos e as casas, entre outros, são exemplos de segunda natureza. Esses objetos fixos ou formas dispostas espacialmente (formas espaciais) estão distribuídos e/ou organizados sobre a superfície da Terra de acordo com alguma lógica. O conjunto de todas essas formas configura a organização espacial da sociedade. A organização espacial é a segunda natureza, ou seja, a natureza primitiva transformada pelo trabalho social"



CORREA, Roberto Lobato. Região e organização espacial. SP. Ed. Ática.












Veneza - Itália

segunda-feira, março 23, 2009

Amazônia, Amazônias


Caros amigos e possíveis leitores, depois de longo tempo sem postar nada hoje resolvi mostrar aos amantes da geografia uma pequena "palhinha" de um livro que eu estou lendo atualmente e que recomendo : Amazônia, Amazônias, de Carlos Walter P. Gonçalves. Um livro que mostra as várias visões que se pode ter desse nosso rincão e pouco conhecido ou "mal conhecido" por muitos. Traz em uma linguagem de fácil entendimento reflexões do que seja a Amazônia para os brasileiros e não brasileiros. Recomendo. Vai aí alguns trechos:
......

A imagem que normalmente se tem da Amazônia [...] tem sido vista mais pela ótica dos colonizadores do que de seus próprios habitantes” (p.12)

“Sua população é vista como primitiva, indolente e preguiçosa e, assim, incapaz de ser portadora de um projeto civilizatório que a redima da situação de subdesenvolvimento à qual se acha secularmente submetida” (p.12)

”A Amazônia cumpre um importante papel na imagem que os brasileiros fazem de si próprios e de seu país [..]. Nessa imagem está subjacente a idéia de que o Brasil é um pais de dimensões continentais, portador de imensos recursos naturais que nos garantiriam um futuro promissor” (p.12).

“O futuro parecia, finalmente, ter chegado à Amazônia [...] o Estado brasileiro, então sob o regime militar, recorreu a empréstimos em bancos privados e multilaterais (BID e BIRD – Banco Interamericano de Desenvolvimento e Banco Mundial), além de grandes corporações transnacionais” (p.12.

‘Mas uma vez o futuro da Amazônia era decidido à revelia de seus habitantes, como se fora uma região colonial, vazia de gente (ou de “gente inferior”, como pensam os capitalistas) e somente portadora de recursos naturais” (p.13);

“Logo a Amazônia se tornou em um cenário de enormes tensões e conflitos [...] é esta imagem que vem ganhando o mundo não só através da imprensa, da ação de organizações não-governamentais, de lideranças de movimentos sociais e também de trabalhos científicos” (p.13)

[...] O debate ecologizado sobre a Amazônia seria uma ingerência externa, uma nova forma de se fazer presente a antiga cobiça internacional sobre a região” (p.13);

“O que há de novo na construção imagenética do que seja a Amazônia é que [...] participam hoje, além dos protagonistas de sempre, as lideranças de populações tradicionais da região [...] lideranças de produtores familiares, lideranças sindicais de trabalhadores, além de outros seguimentos da sociedade” (p.13);

“Na verdade, em torno da Amazônia se trava um interessante debate não só acerca da região mas sobre o próprio futuro da humanidade e do planeta” (p.15);

GONÇALVES, Carlos Walter Porto, Amazônia, Amazônias. 2ª Ed. São Paulo: Contexto,2008