sexta-feira, outubro 24, 2008

A boboleta e o casulo



Um dia, uma pequena abertura apareceu em um casulo; um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.
Então pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso.Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir mais. Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta então saiu facilmente. Mas seu corpo estava murcho e era pequeno e tinha as asas amassadas.
O homem continuou a observar a borboleta porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo.Nada aconteceu! Na verdade, a borboleta passou o resto da sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar. O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo com que a natureza fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de modo que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida. Se passássemos esta nossa vida sem quaisquer obstáculos, nós não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido.

Eu quis Força... e recebi Dificuldades para me fazer forte.

Eu quis Sabedoria... e recebi Problemas para resolver.

Eu quis Prosperidade... e recebi Cérebro e Músculos para trabalhar.

Eu quis Coragem... e recebi Perigo para superar.

Eu quis Amor... e recebi pessoas com Problemas para ajudar.

Eu quis Favores... e recebi Oportunidades.

Eu não tive nada do que quis ...

Mas eu recebi tudo de que precisava.



Para cumprimos a missão que nos foi designada por Deus nos foi dado justamente não o que talvez esperávamos, mas o que precisavamos para seguir adiante.
E, a missão de cada mulher nesse mundo é acima de tudo mostrar que, da aparente fragilidade se descobre uma fortaleza d'alma.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Dois poemas




Mulher Negra.


Mulher nua, mulher negra,
Vestida de tua cor que é vida,
de tua forma que é beleza!
Cresci à tua sombra;
a doçura de tuas mãos acariciou os meus olhos.
E eis que, no auge do verão,
em pleno Sul, eu te descubro,
Terra prometida,
do cimo de alto desfiladeiro calcinado,
E tua beleza me atinge em pleno coração,
como o golpe certeiro de uma águia.
Fêmea nua, fêmea escura,
Fruto sazonado de carne vigorosa,
êxtase escuro de vinho negro,
boca que faz lírica a minha boca
savana de horizontes puros,
savana que freme com as carícias ardentes do vento Leste.
Tam-tam escultural,
tenso tambor que murmura sob os dedos do vencedor.
Tua voz grave de contralto é o canto espiritual da Amada.
Fêmea nua, fêmea negra,
Lençol de óleo que nenhum sopro enruga,
óleo calmo nos flancos do atleta,
nos flancos dos príncipes do Mali.
Gazela de adornos celestes,
as pérolas são estrelas sobre a noite da tua pele.
Delícia do espírito,
as cintilações de ouro sobre tua pele
que ondula à sombra de tua cabeleira.
Dissipa-se minha angústia,
ante o sol dos teus olhos.
Mulher nua, fêmea negra,
Eu te canto a beleza passageira
para fixá-la eternamente,
antes que o zelo do destino
te reduza a cinzas para alimentar as raízes da vida.


Poema de Léopold Sédar Senghor: 1906 - 2001
Tradução de Guilherme de Souza Castro - Falecido professor da UFBa, foi diretor do CEAO e professor em Ifé (Nigéria).
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Mulher Negra




I
Do tempo das amas-de-leite,
das senzalas e mucambas,
Aind’há quem te desfeite,
(Do tempo das amas-de-leite)
quem deboche teus enfeites,
e te faça a vida tirana
Do tempo das amas-de-leitedas senzalas e mucambas.

II
Ser mulher e, negra, também ser,
é sentir, em dobro, a dor,
é lutar e sobreviver.
Ser mulher e, negra, também ser,
é por duas sempre valer,
é desdobrar o seu valor
Ser mulher e, negra, também ser,
é sentir, em dobro, a dor.

III
É guardar dentro do peito,
o grito da liberdade,
qual o mais doce confeito.
É guardar dentro do peito,
a esperança dum mundo feitode paz e igualdade
É guardar dentro do peito,o grito da liberdade.

IV
É ser sempre a guerreira,
vencendo obstáculos,
e tomando a dianteira.
É ser sempre a guerreira,
e vencer, à sua maneira,
desta vida os percalços
É ser sempre a guerreira,
vencendo obstáculos,
V
Mulher negra, negra mulher,
fica aqui esta homenagem,
de um poetinha qualquer.
Mulher negra, negra mulher,
venha o tempo que vier,
és sinônimo de coragem.
Mulher negra, negra mulher,
fica aqui esta homenagem.

Jorge Linhaça



Aproxima-se o dia 20 de novembro, instituído o dia da consciência negra. E como não falar de consciência sem lembrar da mulher.
Mulher que é toda sensibilidade. Que ensina a seus rebentos a consciência da vida.
A mulher que é guerreira,sem deixar de ser feminina.
A mulher que é desteminda, sem deixar de querer também ser amparada.
Mulher que é, dizem contraditória, mas é nas contradições que está sua beleza. A verdadeira mágica de ser mulher.