segunda-feira, dezembro 01, 2008

AMAR

Eu quero amar perdidamente!

Amar só por amar. Aqui ... além ...

Mais Este e Aquele, e Outro e toda a gente

Amar! Amar! e não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente?

Prender ou desprender? É mal? É bem?

Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:

É preciso cantá-la assim florida,

Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada

Que seja a minha noite uma alvorada,

Que me saiba perder ... pra me encontrar..



Autor:Florbela Espanca



A vida de Florbela Espanca sempre foi marcada por fatos incomuns. Esse poema a primeira vista parece mais um poema de amor dramático, porém se analisado com a profundidade que os poemas de Florbela Espanca requerem, soa como um desabafo. Nele está contida a dor que causa o amor, porém a angustiante vontade de continuar amando intensamente, especialmente nesse verso, ainda que cause dor “E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada; Que seja a minha noite uma alvorada”. Nesse poema Florbela mostra-se uma mulher madura, apresenta a preocupação quanto ao sentido da existência, ânsia de sempre estar amando, numa busca ate o fim da vida ou além, esse sentimento contraditório que é o amor.


Por José Regio: http://aprender.unb.br/mod/forum/discuss.php?d=53431


Sombra d'outeiro

A sombra d'um outeiro,

vi passarem-se os dias.

Dias de muito, dias de pouco

Se recordo bem, foi lá que também perdi meu bem

Não mais dias luminosos, não mais alegrias sem fim

Apenas o recordar de mim pra mim.

Tento esquecer, mas enfim

Que fazer, se o infinito teve fim.

Na sombra d'outeiro

Vi passar meu cavaleiro.

Era lindo de uma beleza ardente e apaixonante.

Quisera poder reter nas malhas das lembranças

não apenas o momento fugaz ,

Mas meu cavaleiro que se perdeu, foi embora.

Autor : T.J.Gama (Dez/2008)